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        <title>A luta da Goj Te Sá - Casa de Passagem em Florianópolis</title>
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        <description>A história da Casa de Passagem Goj Te Sá, é um testemunho vivo da resistência e da resiliência do povo Kaingang em Florianópolis. O nome, que significa “água salgada” em sua língua, já remete à sua conexão com a cidade litorânea, onde a venda de artesanato se tornou crucial para a subsistência de muitas famílias . Há décadas, a presença indígena na capital se dá em condições precárias, com famílias se abrigando embaixo de viadutos . A migração sazonal, que hoje envolve centenas de pessoas de diferentes aldeias do sul do país, é uma peregrinação anual em busca de renda através da venda de artesanato . O ponto de virada para a luta organizada, como relata o Cacique Sadraque, foi um ato de violência brutal: o assassinato do menino Vitor, uma criança Kaingang de apenas dois anos, morta no colo da mãe em Imbituba, no final de 2015 . Foi a partir dessa comoção que os indígenas intensificaram sua reivindicação por um local seguro. Em 2016, a luta ganhou força com a ocupação do antigo Terminal de Integração do Saco dos Limões, um espaço abandonado pela prefeitura . O terminal, que havia sido cedido pela União ao município, mas estava abandonado desde 2005, tornou-se o lar provisório para as famílias Kaingang que migravam para a cidade no verão . A partir de 2018, a Justiça Federal determinou que um espaço definitivo fosse construído: a Casa de Passagem. O projeto, aprovado em 2019 com a participação do Ministério Público Federal, da Funai e da própria Comissão Indígena liderada por Sadraque, previa não apenas dormitórios, mas também um espaço de convivência, oficinas de artesanato e um local para a cultura Kaingang ser preservada e compartilhada . Apesar das promessas e de um projeto pronto, a Casa de Passagem não saiu do papel. O Cacique Sadraque e sua comunidade se viram em uma luta contínua contra a inércia do poder público, que descumpriu prazos e recorreu na Justiça para postergar sua responsabilidade . O povo Kaingang segue resistindo, que, mesmo em condições precárias, se transformou em um território indígena e ponto de cultura . A ocupação permanente do local, com cerca de 20 famílias, tornou-se uma estratégia para assegurar o espaço. Em suas próprias palavras, o cacique define a Casa de Passagem Goj Te Sá como um espaço de acolhida para todas as etnias, um lugar que simboliza a certeza de que a luta não pode parar.</description>
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