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        <title>A Comuna Amarildo de Souza: Teto, Terra e Território em Santa Catarina</title>
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        <description>Santa Catarina não é feita apenas por aqueles que tentam apagar sua história de luta. O estado teve Anita Garibaldi, Antonieta de Barros, Cruz e Souza e tantos outros lutadores que construíram uma trajetória de resistência. É nesse espírito que nasce a Comuna Amarildo de Souza, um projeto de reforma agrária que prova que a luta por terra e território está viva e potente em solo catarinense. Tudo começou em 16 de dezembro de 2013, quando 60 famílias cortaram as cercas de uma área de 900 hectares às margens da SC 401, em Florianópolis. A terra, grilada durante a ditadura militar pelo ex-deputado Artêmio Paludo, não cumpria sua função social enquanto milhares de famílias não tinham onde morar. A ocupação cresceu rapidamente: em uma semana já eram 250 famílias, chegando a 750 ao final de quatro meses, desafiando a especulação imobiliária no "coração do turismo" da capital. Após despejos, negociações e muita resistência, em julho de 2014 o INCRA destinou às famílias uma área em Águas Mornas. Ali, contra todas as dificuldades, nasceu o primeiro assentamento na modalidade Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) de Santa Catarina, com três pilares fundamentais: terra de uso coletivo, produção 100% agroecológica e decisões horizontais em assembleia. Hoje, a Comuna produz mais de 50 itens agroecológicos, distribuídos semanalmente através de Células de Consumo Consciente em 15 pontos da Grande Florianópolis. Além disso, destinam cerca de 10% da produção para doações a cozinhas comunitárias, ocupações urbanas, comunidades indígenas e quilombolas. Durante a pandemia, doaram aproximadamente 3 toneladas de alimentos. A agroecologia praticada na Comuna é popular e indissociável da reforma agrária. Como dizem os assentados: "enquanto existir latifúndio no Brasil, todos nós somos sem terra". A produção é da classe trabalhadora para a classe trabalhadora, construindo soberania alimentar, energética e hídrica, e apresentando um modelo capaz de substituir a lógica exploradora do agronegócio. Após 12 anos de luta, a Comuna Amarildo de Souza segue firme, provando que é possível reflorestar, produzir comida saudável e construir um novo paradigma de organização social em Santa Catarina. A semente plantada em 2013 germinou e continua se espalhando.</description>
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